tauromaquia

mentiras sobre as touradas

Muitos são os mitos e informações erróneas divulgadas por aqueles que se opõem às corridas de touros. Vejamos algumas das mentiras mais recorrentes.

01.Os portugueses são contra as touradas

Nada como analisar números objectivos e credíveis:

A Eurosondagem, uma das empresas de sondagens mais reputadas de Portugal, fez em 2011 uma sondagem nacional perguntando o que os portugueses acham sobre as touradas. Os resultados foram os seguintes:

86,1% dos portugueses não defende qualquer proibição das Corridas de Toiros

32,7% declararam-se aficionados;
20,6% são indiferentes às touradas;
32,8% não é aficionado mas não aceita que se retire a liberdade de escolha;
11% são contra as touradas, defendendo a sua proibição;

Mais de 50% dos Portugueses já assistiu ao vivo a uma Corrida de Toiros;
66% da população costuma assistir a espetáculos tauromáquicos pela televisão;
59,3% dos portugueses acham que as touradas contribuem para uma boa imagem do país no estrangeiro;
75% dos portugueses acham que as touradas têm importância ou alguma importância para a economia e turismo;
65,3% acha que seria muito grave o desaparecimento da tradição taurina para a identidade nacional.

Existem ainda outros números que nos permitem medir a popularidade das touradas em Portugal e o grande apreço dos portugueses pelas mesmas: em 2015, as 7 corridas transmitidas na RTP obtiveram um acumulado de cerca de 3 milhões de telespectadores. A petição a favor Festa Brava já ultrapassou, neste momento, as 120.000 assinaturas, o que a torna numa das maiores petições que já tiveram lugar em Portugal.

02.As Touradas são uma tradição do Ribatejo e Alentejo

Olhemos para a realidade e a história. Em Portugal as festas taurinas são transversais praticamente à totalidade do território nacional, do Minho ao Algarve, do litoral ao interior. Existem praças de toiros e corridas de toiros dos distritos de Bragança e Viana do Castelo, até ao distrito de Faro, no Algarve. Em 2014 as praças do norte do país foram as praças que registam a maior taxa de ocupação (70%). Quanto aos distritos Aveiro liderou com uma média de ocupação de 94%, Braga e Guarda com 83% e Bragança com 79%. Como se pode ver é no norte que se regista a maior afluência de público por espectáculo. Viana do Castelo tem uma história taurina documentada desde o início do século XVII, que pode ombrear com Vila Franca de Xira, e tem, ainda, o clube taurino mais antigo do país.

Em 2014 apenas no arquipélago da Madeira e no distrito de Vila Real não realizaram corridas de toiros. Já em compensação, a Ilha Terceira, nos Açores, é palco de cerca de 250 espectáculos de tourada à corda entre 1 de Maio e 15 de Outubro, o que não deixa de ser absolutamente extraordinário para uma ilha com 55.000 habitantes e 80 km2, e revelador da importância das tauromaquias populares, que se alastra por todo o território nacional.

Esta importância da Festa dos Toiros teve como reflexo a criação, em 26 de Setembro de 2001, de uma Secção de Municípios com Actividade Taurina, integrada na Associação Nacional de Municípios Portugueses e da qual fazem parte, actualmente, 38 municípios. São muitos mais, no entanto, aqueles em que se realizam Corridas de Toiros, 101 mais precisamente, muitos dos quais se situam a Norte do Rio Tejo. Além das Corridas de Toiros, são muitas mais centenas os municípios onde se realizam outras actividades taurinas populares como largadas, esperas, touradas à corda, forcão, vacadas…

03.As Touradas são uma tradição de direita e da aristocracia

As corridas de toiros são apartidárias, e nada têm que ver com política. São um espectáculo do povo e para o povo. Com efeito, dão-se Corridas de Toiros e outros espectáculos taurinos em concelhos por todo o país, concelhos esses que são, por sua vez, dirigidos por efectivos de todas as cores políticas, que rapidamente se aperceberam da importância e da beleza da Festa Brava para as suas populações. Por exemplo, Daniel Oliveira, um dos fundadores do Bloco de Esquerda é aficionado, tal como o célebre exemplo, da ex-autarca de Salvaterra de Magos (Bloco de Esquerda), que defendeu publicamente as Corridas de Toiros e a corridas de toiros de morte, o que desmente, uma vez mais, que as touradas sejam uma tradição de direita.

04.Os Touros ficam mais de 24 horas dentro do camião de transporte

Analisemos os factos: os touros são carregados, normalmente, na manhã do dia do espetáculo e são conduzidos à praça de toiros, sendo descarregados para os curros. Depois da corrida, os toiros são carregados no camião e seguem de imediato para o matadouro onde são abatidos num máximo de 5h. Se um toiro revela qualidades extraordinárias, o ganadeiro leva o toiro de volta para a ganadaria onde será semental e viverá o resto dos seus dias em liberdade, procriando.

05.Os Touros ficam vários dias à espera de serem abatidos depois das corridas

O regulamento tauromáquico define que os touros tenham de ser abatidos até um máximo de 5 h depois da corrida e é o que acontece, seja em dias de semana ou ao fim-de-semana. Depois da corrida os touros são tratados e curados e seguem de imediato para o matadouro, sendo abatidos pouco tempo depois, seja em dias de semana ou durante os fins de semana.

06.Os Touros antes do espetáculo são alvo de maus-tratos para lhes retirar força

Para os que não sabem, todos os espectáculos tauromáquicos são dirigidos por um delegado da IGAC, Inspeção das Actividades Culturais, e um veterinário, nomeados pelo Estado português. A sua função é dirigirem e fiscalizarem tudo o que se passa antes, durante e após o espectáculo. O delegado da IGAC é o diretor de Corrida e gere a aplicação de todos os preceitos do regulamento taurino, já o veterinário é responsável pelo acompanhamento dos toiros e pela fiscalização do seu bem-estar.

Assim, no dia do espetáculo os toiros são inspecionados ao chegarem à praça e aprovados pelo médico de veterinário certificando-se que estes estão saudáveis e em boas condições físicas. A sua aprovação implica que estes têm que estar em perfeitas condições para a lide. Se algum toiro não estiver saudável ou fisicamente apto, é reprovado e não pode entrar na corrida. Após a embolação (colocação da proteção de couro nos cornos) os toiros são colocados em curros com água à disposição e permanecem em descanso até à hora do espetáculo, sendo proibida a entrada a qualquer pessoa na zona dos curros. A tauromaquia necessita de toiros em óptimas condições físicas, e não o contrário.

07.Depois da lide as bandarilhas são arrancadas do lombo dos Touros

Depois da lide o toiro regressa aos curros onde descansa e bebe água. É tratado sendo as bandarilhas retiradas através de procedimento médico-veterinário, pelo veterinário ou sob a sua supervisão. De seguida o touro segue para o matadouro ou regressa ao campo para ser semental, vivendo o resto dos seus dias em liberdade.

08.Os Touros não se extinguem se acabarem as Touradas

Sem touradas não é economicamente viável criar toiro bravos e estes acabariam no matadouro. Basta verificar que já só existem touros bravos nos países onde existem Touradas. A criação do touro de lide é muito mais cara do que qualquer outro bovino de carne. A manutenção da raça é insustentável sem a rentabilidade que vem da participação do touro nas touradas.

Além disso, o touro de lide só existe porque existe uma seleção genética da bravura que se manifesta durante a lide. Sem selecção e sem corridas o toiro bravo desaparece. Nos dias de hoje as touradas salvaram o toiro da extinção e continuam a permitir a sua existência.

09.A Tauromaquia recebe anualmente 16 milhões do estado português

Nunca existiu, nem existe, qualquer programa de apoio financeiro à tauromaquia da parte do Estado Central. A Tauromaquia é tutelada pelo Ministério da Cultura, mas é a única actividade cultural que não tem um programa de apoio, ao contrario do Teatro, Cinema, Dança… que, com razão, são financiados pelo Estado. O objectivo desta mentira é tentar denegrir a imagem da tauromaquia acusando-a de consumir recursos económicos num momento em que o país está em crise. Algo que é totalmente falso.

Os únicos apoios que existem são pequenos e irrelevantes apoios pontuais de alguns municípios, integrados nas suas políticas de fomento cultural e económico locais, gerando retorno económico para esses municípios, pois a tauromaquia arrasta multidões e com elas aumenta o consumo e a actividade económica.

A actividade económica da tauromaquia gera muitos milhões de euros de impostos directos e indirectos para o Estado, sendo, na verdade, uma financiadora do Estado.

10.A Tauromaquia é financiada pela União Europeia

Em mais de 50 ocasiões a Comissão Europeia respondeu a deputados europeus, no Parlamento Europeu, que não existem apoios europeus para actividades tauromáquicas, informação que pode ser consultada no site do Parlamento Europeu. Pode aceder às respostas em http://bit.ly/resposta_UE.

A própria Comissão Europeia, reiterou em Outubro em 2015, à Agência France Press que "Não há nenhum financiamento da UE para touradas" (notícia em http://bit.ly/1MsWL9Y).

11.A Tauromaquia é financiada pelos apoios agricolas da União Europeia e pelo Ministério da Agricultura

Afirmam os grupos antitaurinos que a tauromaquia recebe milhões de euros de financiamento através dos apoios agrícolas da União Europeia e pelo Ministério da Agricultura.

Em 2012, numa pergunta da deputada Helena Pinto, do Bloco de Esquerda, feita no Parlamento Português, ao Ministério da Agricultura, este foi claro em responder que ""Não existem apoios públicos para fins tauromáquicos" e "Não existe qualquer apoio que seja atribuído especificamente aos touros de lide" naquele ministério. Em Outubro de 2015, em declarações à RTP, o Ministério da Agricultura afirmou que "Não existem apoios públicos para fins tauromáquicos".

A própria Comissão Europeia, reiterou em Outubro em 2015, à Agência France Press que "Não há nenhum financiamento da UE para touradas" (notícia em http://bit.ly/1MsWL9Y).

As touradas estão em decadência e dependem de subsídos do estado

Na verdade a tauromaquia não recebe nem apoios do Estado Central nem da União Europeia.

Pelo contrário são a única actividade tutelada pelo Ministério da Cultura que não tem um programa de apoio, mas que o deveria ter. Além disso, a tauromaquia ao contrário do teatro, cinema e outras artes financiadas pelo estado, é a única que vive com base na riqueza que gera com a venda de bilhetes, o que mostra bem a grande adesão dos portugueses a este espectáculo cultural.

12.As Touradas estão em decadência e dependem de subsídios do estado

Na verdade a tauromaquia não recebe nem apoios do Estado Central nem da União Europeia.

Pelo contrário são a única actividade tutelada pelo Ministério da Cultura que não tem um programa de apoio, mas que o deveria ter. Além disso, a tauromaquia ao contrário do teatro, cinema e outras artes financiadas pelo estado, é a única que vive com base na riqueza que gera com a venda de bilhetes, o que mostra bem a grande adesão dos portugueses a este espectáculo cultural.

13.A Tauromaquia é prejudicial para as crianças

Dizem algumas organizações antitaurinas que estas provocam danos mentais nas crianças por verem touradas ou por aprenderem a tourear.

Há séculos que milhões de crianças portuguesas assistem a touradas sem que isso lhes cause qualquer tipo de problema. Em Portugal as touradas estão classificadas para maiores de 12 anos (é só um aconselhamento, pois qualquer criança com mais de 3 anos pode assistir a touradas acompanhada de um adulto) e, por exemplo, a ERC (Entidade de Reguladora da Comunicação Social), quando chamada a pronunciar-se sobre a assistência de menores a touradas na RTP, referiu precisamente que estas não eram suscetíveis de influir negativamente nas crianças e adolescentes.

Não existe nenhuma prova científica que fundamente esta mentira, que chegou a ser repetida pelo Comité dos Direitos das Crianças da ONU, sem apresentar nenhuma prova. Pelo contrário, o único estudo científico realizado por uma entidade estatal e independente, sobre as crianças e as touradas, a Comissão de Proteção de Menores da Comunidade de Madrid, concluíram que "não existe nenhum fundamento científico para afirmar que a assistência de menores a touradas tenha impacto negativo na sua personalidade e bem-estar."

A tauromaquia pauta-se pelo profundo respeito e promoção dos valores e direitos humanos, sendo um espaço de transmissão de valores interjecionais, profundamente valiosos e arreigados na nossa cultura. Por isso, a tauromaquia é pedagógica e recomendável para qualquer pessoa.

14.Unesco condena as Touradas

É possível que já te tenhas cruzado com a seguinte frase, como surge nesta página http://on.fb.me/1NvQ72w:

"A Tauromaquia é a terrível e venal arte de torturar e matar animais em público, segundo determinadas regras. Traumatiza as crianças e adultos sensíveis. A tourada agrava o estado dos neuróticos atraídos por estes espectáculos. Desnaturaliza a relação entre o homem e o animal, afronta a moral, a educação, a ciência e a cultura" UNESCO, 1980

Na verdade esta frase é falsa e nunca foi proferida ou subscrita por nenhuma pessoa ou organização da UNESCO.

15.Os aficionados são sádicos e vão à praça divertir-se com o sofrimento

Muitos das mentiras divulgadas por organizações antitaurinas resulta da sua capacidade de manipular as pessoas com base na ignorância destas sobre o que são as touradas. Quem sabe o que é uma corrida de toiros, sabe que nem os aficionados são sádicos, pois são pessoas perfeitamente normais, nem nenhum aficionado vai a uma praça de toiros divertir-se com qualquer tipo de sofrimento.

A Tourada não tem como objectivo infligir dor, da mesma forma que o sofrimento do peixe não é o objectivo do pescador, nem alguém que se alimenta de um bovino tem como objectivo fazer sofrer esse animal, apesar de contribuir para sua morte.

Um aficionado vai a uma corrida por admiração para com o toureio e os valores de coragem, resiliência, altivez… que este executa na praça. Vai a uma corrida para desfrutar com a criação artística realizada pelo toureiro e, pela admiração para com o toiro, animal admirável e combativo, que não desiste, sendo ele mesmo um exemplo para os aficionados e para qualquer humano.

16.As Touradas são tortura e uma barbaridade

A palavra tortura tornou-se um slogan antitaurino habitual. As corridas de toiros são precisamente o oposto da tortura e da barbaridade. Torturar é fazer sofrer um ser que não se pode defender, com o propósito de daí retirar um benefício, como uma confissão, e fazê-lo sem correr qualquer risco. Ora, a Corrida de Toiros é um duelo, um combate onde o toiro deve lutar e demonstrar a sua natureza e o homem só pode participar nesse combate se aceitar pôr a sua vida em risco.

A Corrida de Toiros é, assim, o contrário da tortura e não é comparável com a verdadeira tortura como a que sofre o prisioneiro político, por exemplo. Por outro lado, barbaridade pressupõe algo sem regras, sem educação, rude. Ora, a Corrida de Toiros é um ritual, perfeitamente regulado, onde cada gesto, cada passo, cada atitude tem um significado preciso e valorado. Nada tem, por isso, de bárbaro nem se compara com as verdadeiras barbaridades, como o assassínio ou  a mutilação genital indiscriminada de mulheres e crianças que, infelizmente, ainda hoje acontecem e são um atentado aos direitos humanos.

17.As Touradas não são cultura

Vejamos a definição de cultura declarada pela UNESCO, em 1982 na cidade do México:

"No seu sentido mais amplo, a cultura pode ser considerada como o conjunto de marcas distintivas, espirituais e materiais, intelectuais e afectivas, que caracterizam uma sociedade ou um grupo social. Neste sentido, a cultura compreende além das artes e letras, modos de vida, direitos fundamentais do ser humano, os sistemas de valores, tradições e as crenças.

As Touradas encaixam perfeitamente nesta definição da UNESCO, sendo uma marca distintiva da cultura portuguesa, com as mais diversas marcas intelectuais e afectivas na sociedade portuguesa, especialmente fortes em diversas regiões e grupos sociais, sendo uma arte performativa, que encerra em si um sistema de valores, tradições e crenças que promovem a excelência humana e o humanismo. As touradas são uma das expressões culturais mais autênticas e identitárias da cultura portuguesa.

18.O Touro Bravo é tão manso como um cão

O Toiro bravo recebe o seu nome exactamente do seu comportamento inato, feroz e agressivo, investindo para matar sempre que alguém entra no seu território. É muito frequente ver-se nas ganadarias pequenos bezerros, com poucas horas de vida, investirem contra pessoas e mesmo tratores que se encontram perto, mostrando que apesar do seu pequeno tamanho, possuem uma agressividade inata.

A maior fraude relacionada com esta ideia de mansidão é a do touro Fadjen, um "suposto touro bravo",  que apresenta comportamento dóceis. A informação acerca deste touro é impossível de confirmar, pois o seu dono não revela os documentos oficiais do animal de forma clara e transparente, pelo que só pode revelar que pretende ocultar algo. Existem touros de raça preta, com uma aparência igual à dos toiros bravos, mas que na verdade não o são.

No entanto, é possível e existem alguns toiros domesticados. No entanto, isso não significa que os touros são por natureza dóceis como os cães, mas sim que foram domesticados, tal como o podem ser um leão, um tigre ou outro animal selvagem.

19.A Tourada gera violência e é uma marca de subdesenvolvimento das populações

Os estudos académicos da análise estatística efetuada, por localidade, ao índice de atividade tauromáquica e os indicadores de violência e, também, ao índice de atividade tauromáquica e os índices de desenvolvimento, concluíram que se pode afirmar que não existe qualquer correlação entre os índice de atividade tauromáquica e os indicadores de violência e/ou índices de desenvolvimento, deitando por terra mais um preconceito básico e abjecto.

As corridas de touros realizam-se em diversos países e regiões, de diferentes níveis económicos, não tendo absolutamente nenhuma relação com índices de violência ou desenvolvimento económico.

20.A Tourada é uma luta desleal e injusta

Uma vez mais é fundamental olhar para o que se passa de facto numa tourada. Esta é um combate com armas iguais: a inteligência contra a força, como David contra Golias. É também um combate com probabilidades diferentes, uma vez que ilustra a superioridade da inteligência humana sobre a força bruta do toiro. Mas o que queríamos? Que as probabilidades do homem e do animal fossem iguais, como nos jogos romanos do circo antigo? Se ora morresse um, ora morresse outro, seria mais justo? Aí sim, estaríamos perante um espectáculo perfeitamente bárbaro, algo que muitas vezes vemos defendido na ideologia antitaurina.

A Corrida não é uma competição desportiva no qual o resultado deve permanecer incerto: o animal luta e o homem não deve morrer, mesmo se, acidentalmente, o homem morra. Mas desigual não significa desleal. Justamente, a demonstração da superioridade das armas do homem sobre as do animal só faz sentido se este estiver na plena posse das suas faculdades. E é precisamente por isso que as condições do Toiro de Lide antes de entrar em praça são minuciosamente analisadas. É por isso que a Lei define pesos mínimos das reses a lidar e é, também, por isso, que os espectáculos tauromáquicos apenas se podem realizar com a presença de um médico veterinário que, assim que observa estar o toiro diminuído ou incapacitado, manda interromper a lide e recolher a rês. Assim é a ética tauromáquica: um combate naturalmente desigual mas leal como nenhum outro.

21.A tourada incentiva a violência e insensibiliza o público

A Tourada não é uma escola de violência, nem gera violência. Se assim fosse seriam frequentes os desacatos e incidentes nas corridas de touros. Há memória de algum desacato nas imediações ou no interior de uma praça de toiros, antes, durante ou após uma Corrida? A violência ritualizada e sublimada que acontece na arena tem precisamente como efeito expurgá-la da comunidade, assumindo uma função de catarse e de união entre os seus membros. Basta olhar para a realidade e ver como, por exemplo, no futebol ocorrem frequentemente desacatos, violência e mortos, algo que está completamente ausente no público das Touradas, um espectáculo absolutamente pacífico.

A Corrida de Toiros é ética e moralmente boa. A Corrida de Toiros é uma escola de virtudes, e quem conhece a realidade bem sabe que na praça e na arena se pode ver, sentir e apreciar, talvez como em nenhum outro local, nos dias que correm, valores como o respeito, a dignidade, a coragem, a amizade, a força de vontade, a lealdade ou a solidariedade, valores que, ao invés de insensibilizarem o público, o enriquecem e tornam mais humano e sensível.

Como afirma o grande historiador José Mattoso "Os espectadores das touradas, dos dias de hoje, apreciam a habilidade do toureiro, a sua coragem… a capacidade para transformar a violência do touro em arte."

22.A Tourada tem por objectivo torturar e infligir sofrimento aos Touros

Qualquer aficionados detesta tanto o sofrimento e a violência como qualquer antitaurino, se não mais. Dizer-se que a Tourada tem por objectivo provocar sofrimento é próprio de quem se nega a conhecer, antes de mais, o que são as touradas.

A Tourada não tem como objectivo infligir dor, da mesma forma que o sofrimento do peixe não é o objectivo do pescador, nem alguém que se alimenta de um bovino tem como objectivo fazer sofrer esse animal, apesar de contribuir para sua morte.

O principal motivo de quem vai a uma Tourada é a admiração. Admiração pela bravura do toiro, antes de mais: pelo seu poder, pela sua combatividade incessante. Admiração também pela coragem do homem, pela sua audácia, pelo seu valor, pelo seu sangue-frio, a sua calma, a sua inteligência sobre o adversário.

O sentido, o espírito, o valor da Corrida assenta nesses dois pilares: o primeiro é o combate do toiro, que deve poder exprimir, ao máximo, as suas faculdades ofensivas ou defensivas; o segundo pilar, simétrico, é o empenhamento do toureiro, que para afrontar o seu adversário tem por a sua vida em risco, como forma de consideração e respeito pelo toiro. Estes são os dois pilares éticos das touradas.

O objectivo final da tourada é, a partir da relação entre o  touro e o homem, representar valores profundamente humanos e exemplares para a vida de qualquer pessoa. É exigido ao toureio que supere os seus medos, colocando-se numa situação de enorme pressão e exigência, ao expor a vida ao risco da morte, mas que, apesar disso, e devido a isso, se comporte com hombridade e seja um exemplo humano para os demais. Estes são valores universais de excelência humana que as Corridas de Toiros exaltam e que são recomendáveis a todos os homens.

23.A Tourada é um espectáculo medieval, anacrónico e atrasado

É frequente ouvir-se que as Corrida de Toiros são um espectáculo arcaico, uma espécie de ritual sangrento que remonta aos tempos negros da Humanidade, em que homens e animais se confrontavam numa arena, para gáudio de milhares de espectadores. A Corrida está, para esses, no mesmo patamar que as lutas de gladiadores e é vista, por isso, como um resquício da era mais rude e bárbara da Humanidade, que só por lapso até hoje se manteve.

Ora, nada mais errado. A Corrida de Toiros é uma criação moderna. A corrida de toiros como a conhecemos nasceu, precisamente, em pleno século das luzes (XVIII), do iluminismo. Nasceu na era da Razão, consubstanciando uma ideia fundamental do iluminismo: o domínio do homem sobre a natureza, através do uso da razão. É este domínio que podemos observar no mote de Kant "sapere audem" e que levou, nessa época, e entre outros, ao nascimento da ciência moderna, ao conhecimento do funcionamento do corpo humano ou ao lançamento de novas raízes filosóficas. Esta ideia da acção do homem como uma busca do domínio sobre a natureza, conhecendo-a e libertando-se das suas condicionantes através da razão, é um dos pilares da civilização ocidental, dando espaço ao progresso social e material que os últimos séculos representam.

E é precisamente esta ideia de domínio e racionalidade que vemos materializada nas Touradas, onde o homem procura, com o uso da razão, sobrepor-se à força bruta do animal, criando arte e valor, dignificando-se a si e ao Toiro. Assim, a Corrida de Toiros não é pré-histórica. Nasceu no século XVIII e transformando-se no espectáculo artístico que é hoje já em pleno século XX. As suas raízes e origem são, essas sim, muito antigas e comuns a todas as culturas da bacia mediterrânica.

24.A história do Toureiro arrependido

Quase de certeza que já se cruzou com uma imagem de um toureiro sentado junto das tábuas da arena com a mão na cabeça, em frente a um toiro, onde lhe dizem que o toureiro olhou nos olhos do toiro e que se arrependeu… Esta imagem tem já várias versões, todas elas falsas, como por exemplo referindo que se trata do toureiro Alvaro Muñera, que também teria abandonado a sua profissão depois de ter olhado os olhos de compaixão do touro… Aqui ficam alguns exemplos:

https://qkantton.wordpress.com/2014/03/15/torero-arrepentido/
https://youtu.be/cHsxsOgLTbs
http://www.taringa.net/posts/noticias/16959644/Torero-Se-Arrepiente-De-Seguir-Matando-Animales.html

Na verdade trata-se de mais uma fraude. Essa imagem retrata na verdade o matador de toiros espanhol Sanchez Vara (https://twitter.com/prensavara) no momento em que este se sentou no estribo (o apoio das tábuas da trincheira) e limpou o suor do seu rosto, enquanto esperava que o toiro se deitasse, depois de ter entrado a matar, pois é uma imagem de uma corrida de toiros de morte, numa praça americana. Este matador ainda no ano de 2015 toureou na praça da Figueira da Foz. Nem tudo o que parece é.

25.As praças de Touros são redondas para confundir o Touro

Vejamos a realidade: Em 1738 foi construída a primeira praça de toiros redonda em Portugal, por D. Jaime, Duque de Cadaval, que a mandou construir na Junqueira (Belém) para celebrar o vigésimo aniversário da Princesa D. Maria Vitória, filha de Filipe V e futura mulher de D. José I. Até então as praças eram normalmente quadradas e ainda hoje existem algumas com esse formato. A construção de praças redondas, no século XVIII foi uma manifestação da profissionalização das touradas, que passaram a ser exploradas por empresários. A forma redonda permitia não só, uma óptima visão de qualquer lugar da bancada, como permitia optimizar o espaço, aumentando a rentabilidade da praça. Estas são as razões para as praças passarem a ser redondas.