tauromaquia

razões para ser aficionado

Muitas são as razões para se defender a tauromaquia e o respeito e preservação deste património cultural português. Vejamos algumas das principais razões.

01.As Touradas defendem os Ecossistemas e a Biodiversidade

No campo, o touro vive em liberdade, em extensões de terreno que lhe permitem viver no seu habitat natural, num regime semi-selvagem, com pouco contacto com o Homem. Apesar de o toiro ser criado pelo homem, o objectivo da sua criação é conservá-lo o mais selvagem possível, respeitando o seu habitat natural. Em Portugal existem cerca de 70.000 hectares de montado e lezíria afetos à criação do Toiro de Lide, áreas de elevado interesse ambiental e ecológico. Nos Açores, grande parte das ganadarias bravas pasta no planalto central da ilha Terceira, zona com elevado interesse ambiental, visto que representa uma das maiores concentrações de elementos valiosos do património natural ao nível regional, nacional e europeu, atendendo ao número de endemismos e espécies raras que habitam nesta zona.

A criação do touro bravo tem ainda grandes impactos em termos ecológicos e para a biodiversidade. A maioria das ganadarias (herdades onde é feita a criação deste animais) situa-se nas regiões do Ribatejo e Alentejo, no centro-sul de Portugal, pois aqui existem grandes espaços adequados à criação destes animais, a lezíria e o montado, respectivamente. Como as grandes extensões de terreno onde os touros são criados não são cultivadas, estas permitem que se desenvolvam as mais diversas espécies de fauna e flora, constituindo as ganadarias, verdadeiras reservas ecológicas e da biodiversidade. A presença do touro evita acções do Homem com maior impacto sobre estas áreas com interesse ambiental, colaborando assim como agente de conservação da biodiversidade.

Além disso, várias ganadarias encontram-se situadas em terrenos da Rede Natura 2000 (rede ecológica para o espaço comunitário da União Europeia que tem como finalidade assegurar a conservação a longo prazo das espécies e dos habitats mais ameaçados da Europa, contribuindo para parar a perda de biodiversidade) e algumas delas estão ligadas a programas de conservação da natureza e de espécies em risco de extinção, como é o caso do lince ibérico e do abutre negro.

02.As Touradas salvaram o Touro da extinção e preservam-no

O toiro bravo é uma variedade única de toiro selvagem preservada na Europa desde o século XVIII graças aos esforço dos ganadeiros, que resgataram e salvaram este animal da extinção. O toiro bravo só existe nos países onde existem touradas, o que comprova, uma vez mais, que sem as touradas este animal estará condenado a extinguir-se. A tauromaquia constitui um circulo virtuoso que, não só permite a preservação do toiro bravo, como ainda um conjunto de impactos ecológicos, ambientais, sociais, econômicos, culturais…muito importantes. 

03.A criação do Touro Bravo é um exemplo de criação animal com elevado bem-estar

A criação do touro bravo constitui uma das últimas formas de criação animal extensiva, onde os animais são criados em liberdade e em grandes extensões de terreno. Em Portugal, cada toiro tem em média 30.000m2 (três campos de futebol) de espaço para viver.  Por exemplo, a União Europeia define como critério de bem-estar animal, para a criação de bovinos, a existência de 9m2 de espaço por animal. Repare-se na enorme diferença de espaço que dispõe um touro bravo em relação aos outros bovinos. Nenhum outro animal criado pelo homem é criado em tão grandes extensões de terreno. Na verdade, a criação do touro bravo é um caso absolutamente exemplar de criação animal com elevados índices de bem-estar animal.

04.As Touradas são um Património Cultural Imaterial Português único

A Corrida de Toiros à Portuguesa é um produto cultural exclusivamente português e único no mundo, por isso mesmo valiosíssimo, tal como o são todas as demais expressões artísticas que se foram criando à sua volta, ou que aí se foram inspirando.

O próprio estado afirma, de forma expressa, que "a tauromaquia é, nas suas diversas manifestações, parte integrante do património da cultura popular portuguesa. Entre as várias expressões, práticas sociais, eventos festivos e rituais que compõem a tauromaquia, a importância dos espectáculos em praças de toiros está traduzida no número significativo de espectadores que assistem a este tipo de espectáculos", o que traduz a sua importância cultural e social.

Neste momento mais de 50 municípios e duas regiões administrativas já declararam a tauromaquia como Património Cultural Imaterial dos seus municípios de acordo com os critério da Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial. A primeira manifestação cultural a ser inscrita na lista nacional do Património Cultural Imaterial, ao abrigo desta convenção foi a Capeia Arraiana, manifestação cultural taurina do concelho do Sabugal.

Deste modo, é fácil concluir que a touradas, e todo o seu contexto cultural, são uma jóia da nossa cultura que deve ser preservada.

05.As Touradas são importantes para a economia

Cerca de meio milhão de portugueses vão por ano a corridas de toiros. A tauromaquia, e as inúmeras actividades relacionadas com esta, geram anualmente muitos milhões de euros de riqueza para a economia portuguesa, gerando ainda grandes receitas para o estado através de impostos diretos e indirectos produzidos pela actividade económica directa e indirecta da tauromaquia. Apesar disso, é a única área cultural que não recebe quaisquer apoios do estado central e vive exclusivamente das receitas de bilheteira.

Em Portugal realizam-se cerca de 1017 eventos de tauromaquia popular (de rua). Estima-se que as tauromaquias populares movimentem mais de 3 milhões de portugueses todos os anos com um enorme impacto económico. O Colete Encarnado, em Vila Franca, as Festas da Moita, a Vaca das Cordas, em Ponte de Lima e as Capeias Arraianas da zona do Sabugal, são alguns dos exemplos de tauromaquias populares que movimentam anualmente milhões de pessoas em conjunto.

06.As Touradas criam emprego e promovem a fixação de população no interior

As touradas e todas as actividades relacionadas com as mesmas representam muito milhares de FTE's (full-time equivalent), ou jornadas de trabalho, anualmente. Por exemplo, para organizar uma Corrida de Toiros são necessárias, em média, 175 pessoas, que vão desde o pessoal encarregue dos curros, aos bilheteiros, passando pela banda ou pelos artistas, não esquecendo os transportadores, bombeiros, polícia ou trabalhadores dos bares…

Além disso a tauromaquia tem uma forte ligação e implantação nas zonas do interior, às actividades agrícolas e rurais, por exemplo com a criação do touro bravo. As touradas dinamizam a economia destas regiões e permitem a criação e fixação de emprego nessas zonas, contribuindo ainda para combater a desertificação do interior de Portugal, através da fixação da população, um problema grave do nosso país.

07.As Touradas são ética e moralmente boas

A Corrida de Toiros é ética e moralmente boa. A Corrida de Toiros é uma escola de virtudes, e quem conhece a realidade bem sabe que na praça e na arena se pode ver, sentir e apreciar, talvez como em nenhum outro local, nos dias que correm, valores como o respeito, a dignidade, a coragem, a amizade, a força de vontade, a lealdade ou a solidariedade, valores que enriquecem o público e tornam mais humano e sensível.

O principal motivo de quem vai a uma Tourada é a admiração. Admiração pela bravura do toiro, antes de mais: pelo seu poder, pela sua combatividade incessante. Admiração também pela coragem do homem, pela sua audácia, pelo seu valor, pelo seu sangue-frio, a sua calma, a sua inteligência sobre o adversário.

O sentido, o espírito, o valor da Corrida assenta nesses dois pilares: o primeiro é o combate do toiro, que deve poder exprimir, ao máximo, as suas faculdades ofensivas ou defensivas; o segundo pilar é o empenhamento do toureiro, que para afrontar o seu adversário tem por a sua vida em risco, como forma de consideração e respeito pelo toiro. Estes são os dois pilares éticos das touradas.

08.As Touradas promovem valores humanistas

O objectivo final da tourada é, a partir da relação entre o  touro e o homem, representar e promover valores profundamente humanos e exemplares para a vida de qualquer pessoa. É exigido ao toureio que supere os seus medos, colocando-se numa situação de enorme pressão e exigência, ao expor a vida ao risco da morte, mas que, apesar disso, e devido a isso, se comporte com hombridade e seja um exemplo humano para os demais. Estes são valores universais de excelência humana que as Corridas de Toiros promovem e que são recomendáveis a todos os homens e pedagógicos para a educação dos mais novos.

Como afirma o grande historiador José Mattoso "Os espectadores das touradas, dos dias de hoje, apreciam a habilidade do toureiro, a sua coragem… a capacidade para transformar a violência do touro em arte."

09.As Touradas são socialmente responsáveis

A responsabilidade social da tauromaquia tem muitos séculos, estando ligada às grandes causas sociais desde a sua origem. Por exemplo, a maioria das praças de toiros em Portugal são propriedade de Misericórdias ou IPSS, aquem foram doadas as praças, por beneméritos, para as quais a tauromaquia é uma fonte de financiamento da sua obra social e humanitária.

Por ano, realizam-se cerca de 25 a 30 eventos taurinos com fins de beneficência para diversas causas, como o apoio a corporações de bombeiros, crianças e idosos carenciados, entre muitos outros. Globalmente a tauromaquia contribui com cerca de 1 milhão de euros anuais para fins solidários. 

10.As Touradas são uma fonte de valores estéticos e culturais inestimáveis

Goste-se ou não de Touradas, a verdade é que não há ninguém que tenha já ido a uma Corrida de Toiros e que diga que o que vê e sente numa arena pode ser visto e sentido noutro qualquer espectáculo ou situação. A solenidade do ritual, a energia da música, o espanto inesperado causado pelos trajes, o poder do toiro que investe em todos os sentidos, a coreografia tão regulada como desordenada e imprevisível das quadrilhas, os capotes que esvoaçam, as danças dos cavalos, das bandarilhas, a calma incrível do homem durante a lide, o silêncio das pegas, tudo isto faz da Corrida de Toiros um espectáculo riquíssimo, incomparável, único.

Tourear consiste, pura e simplesmente, em criar beleza. E a beleza do toureio é a mais clássica: pressupõe elegância, harmonia de movimentos, perfeição de formas, obras humanas a partir do caos – a natureza do toiro. Com um gesto do cavalo ou de um pano, o homem põe ordem onde antes não havia senão desordem de movimentos. Desenha curvas poéticas onde antes apenas havia linhas rectas. O toureiro tenta, como o pintor, produzir o máximo de efeitos e emoções a partir do material de que dispõe (a investida do toiro), mas recorrendo ao mínimo de recursos, isto é, o espaço, o tempo e os movimentos.

Só na Corrida de Toiros se cria beleza a partir do seu contrário, a partir do medo da morte. E fazendo-o sem prescindir de todos os valores de excelência humana. É por isso que a Corrida de Toiros é, para tantos, a maior das artes!

O toureio vai beber à música (harmonia dos acontecimentos que se sucedem, como os sons), vai beber às artes plásticas (equilíbrio das linhas e dos volumes), vai beber as artes dramáticas (aliança do azar e da necessidade). E é uma arte muito original, porque reúne muitas outras, e também as influencia. A influência da tauromaquia está presente na cultura ocidental em todas as artes, da pintura, ao cinema, da dança à música, da fotografia ao teatro… sendo uma fonte inestimável de valores estéticos e culturais.

11.Assistir a Touradas é um direito constitucional

A Tauromaquia é hoje reconhecida pelo Estado como parte integrante do património cultural português e, nessa medida, o acesso à mesma é um direito fundamental que assiste a todos os cidadãos e que se encontra, por isso, constitucionalmente protegido.

No preâmbulo Decreto-Lei n.o 89/2014 de 11 de Junho (que é muito recente) o estado afirma, de forma expressa, que "a tauromaquia é, nas suas diversas manifestações, parte integrante do património da cultura popular portuguesa. Entre as várias expressões, práticas sociais, eventos festivos e rituais que compõem a tauromaquia, a importância dos espectáculos em praças de toiros está traduzida no número significativo de espectadores que assistem a este tipo de espectáculos".

O Decreto-lei n.o 23/2014, que estabelece o regime jurídico dos espectáculos de natureza artística afirma, no ponto 2), do artigo 2º que a Tauromaquia é uma actividade artística. Em 2010 foi criada a Secção de Tauromaquia, uma secção especializada dentro do Conselho Nacional de Cultura, competindo à Secção de Tauromaquia apoiar o membro do Governo responsável pela área da cultura no desenvolvimento das linhas de política cultural para o sector da tauromaquia.

O quadro legislativo português não deixa qualquer margem para dúvidas de que as touradas, de facto e juridicamente, são parte integrante do património cultural português.

Além disso, a Constituição da República Portuguesa consagra, no seu artigo 73º, o direito à cultura; em particular, dispõe o número 3 desse mesmo artigo que "o Estado promove a democratização da cultura, incentivando e assegurando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação cultural."

Também o artigo 78º da nossa Lei Fundamental estatui que "todos têm direito à fruição e criação cultural, bem como o dever de preservar, defender e valorizar o património cultural" e que "Incumbe ao Estado, em colaboração com todos os agentes culturais, incentivar e assegurar o acesso de todos os cidadãos aos meios e instrumentos de acção cultural, bem como corrigir as assimetrias existentes no país em tal domínio [e ainda] promover a salvaguarda e a valorização do património cultural, tornando-o elemento vivificador da identidade cultural comum.

Estes direitos e deveres consubstanciam a chamada constituição cultural, sendo que o direito à cultura é, nos termos do artigo 17º da Constituição, um verdadeiro direito fundamental.

Ora, se a própria lei reconhece que a Tauromaquia é cultura, é obrigação do Estado, pelo que vimos, promover e assegurar o acesso dos seus cidadãos à Tauromaquia e qualquer decisão tomada no sentido de limitar ou mesmo proibir esse acesso a um espectáculo cultural é inconstitucional. 

12.Uma questão de liberdade e diversidade

A tolerância e a o respeito pela diferença, seja ela de que tipo, neste caso as diferenças culturais, são valores fundamentais das sociedades democráticas, em pleno século XXI. Numa época de ressaca da globalização, existe uma tendência para a uniformização dos costumes e das práticas culturais, razão pela qual a UNESCO criou a Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, com o objectivo de salvaguardar as diferenças culturais, numa época de massificação.

O acesso à cultura e o direito à diferença são pilares fundamentais dos direitos humanos e da nossa constituição, pelo que qualquer português tem o direito de ser aficionado, de viver a nossa cultura, em total liberdade e respeito. Numa sociedade evoluída, as diferenças culturais que estão de acordo com os direitos humanos, têm de ser respeitadas. Não temos todos de concordar, gostar e viver os mesmos valores, mas sim respeitá-los, porque é dessa forma que se defendem os direitos e liberdades de todos.