tauromaquia

a tourada

A Tourada ou Corrida de Touros é o espectáculo tauromáquico mais comum. Para entender uma tourada e o seu significado fica a saber melhor como se compõe este espectáculo único e emocionante.

01.O que é a Tauromaquia?

A  Tauromaquia é a arte de enfrentar e lidar toiros bravos.

02.O que é uma Tourada?

A tourada ou corrida de touros é uma forma de tauromaquia. É um espectáculo cultural, uma arte performativa, onde um artista (cavaleiro tauromáquico, um matador de toiros, um novilheiro ou forcado) lida ou pega touros bravos, arriscando a sua vida para criar arte.

03.O que significa lidar (tourear) um toiro?

Lidar toiros é tudo o aquilo que se faz de uma maneira artística, de acordo com a ética e regras da tauromaquia, com um toiro na arena, desde a sua entrada até ao fim da lide. No toureio a pé a lide é feita pelo matador ou novilheiro. No toureio a cavalo a lide é realizada pelo cavaleiro.

04.Que tipo de Touradas existem?

Existem vários tipos de Touradas ou Corridas de Toiros. As Corridas de Toiros à Portuguesa na qual actuam Cavaleiros e Forcados. A Corrida de Matadores é aquela em que só actuam Matadores de toiros.  A Corrida de Toiros Mista é o tipo de corrida em que actuam Cavaleiros, Matadores ou novilheiros e Forcados. As Novilhadas são os espectáculos tauromáquicos onde actuam jovens cavaleiros praticantes e/ou novilheiros, ou seja, toureiros que ainda não tiraram a alternativa de Cavaleiros ou Matadores de Toiros, o escalão máximo nas suas categorias profissionais.

05.O que é uma Praça de Touros?

A praça de touros é o recinto onde decorre a Tourada. As praças de toiros como hoje as conhecemos, redondas e fixas, surgiram no século XVIII. Até esta época, as corridas davam-se nas praças das cidades, onde se construíam bancadas e estruturas de madeira. Estas eram  normalmente quadradas e construções temporárias, que se desmontavam depois da celebração das corridas. Por exemplo, em Lisboa, as corridas de toiros realizavam-se normalmente no Terreiro do Paço e no Rossio.

06.O que é a "corrida dos Touros à portuguesa"?

A corrida de toiros à portuguesa é uma das variantes do espectáculo tauromáquico. Trata-se de uma corrida de toiros na qual participam Cavaleiros e Forcados e o toiro não é morto na arena.

No entanto, a corrida típica "à Portuguesa" nos últimos duzentos anos é a corrida mista com a presença de toureio a cavalo, pegas e toureio a pé, ou seja, com a actuação de Cavaleiros, Forcados e Matadores, sendo que nas últimas duas décadas a presença dos matadores tem sido mais reduzida. 

07.O que se passa na praça antes de uma corrida?

Antes de uma corrida realizam-se sempre estes procedimentos, obrigatórios no Regulamento Tauromáquico:

Desembarque: Consiste no descarregamento das reses do camião de transporte para os curros da praça.

Reconhecimento/Inspeção: Consiste no exame feito pelo médico veterinário ao estado fisico dos toiros e à documentação legalmente exigida das reses, e respetiva aprovação ou reprovação das mesmas para o espetáculo.

Apartação: Antes do sorteio, as reses são divididas (ou apartadas) em lotes, tendo em  consideração a modalidade de lide a que se destinam (pé ou cavalo) e o número de cabeças de cartaz (cavaleiros e/ou matadores) que vão atuar.

Sorteio: Depois de divididas as reses em lotes de dois toiros, é efetuado o sorteio dos lotes pelo  número de cabeças de cartaz (cavaleiros e/ou matadores) que vão atuar.

Embolação: Consiste na colocação de proteções de couro para "cobrir" os cornos das reses destinadas à lide a cavalo. Os toiros lidados a pé não são embolados.

08.Como se chamam os instrumentos de toureio do Cavaleiro?

Além do cavalo, os instrumentos que os cavaleiros usam durante a lide são as bandarilhas, que podem ser compridas, curtas ou de palmo.

As bandarilhas compridas são usadas no início da lide, pelo cavaleiro. São colocadas no dorso do toiro, normalmente entre 1 a 3. O objectivo é permitir ao cavaleiro  aperceber-se do comportamento do toiro e fixá-lo na lide.

Depois desta fase inicial, o cavaleiro passa a usar bandarilhas curtas e, normalmente coloca até quatro, uma de cada vez. Este é o momento fundamental da lide e da criação artística do cavaleiro, além de ser também o mais arriscado. As bandarilhas curtas podem também ser colocadas no touro em pares, o que se chama "colocar um par de bandarilhas".

Para terminar a lide alguns cavaleiros colocam uma ou mais bandarilhas de palmo, encerrando a sua actuação.

09.Como se chamam os instrumentos de toureio do Matador?

Os instrumentos de toureio do matador ou novilheiro são os seguintes:

Capote ou capa - feito de tecido forte, com duas cores diferentes de cada lado, normalmente salmão na frente e amarelo na parte de trás. Tem cerca de 1,5m e pesa cerca de 5 kg. É usado pelo matador para receber o toiro quando este sai dos curros. 

Muleta - pano de lã ou flanela vermelha usada pelo matador para lidar o toiro. No topo, por dentro, possui um estaquilhador (um pau de madeira) que o matador segura para utilizar a muleta.

Ajuda - espada simulada, que o matador usa durante a lide para armar a muleta. Armar a muleta significa colocar a espada por detrás da muleta para aumentar a área de tecido exposto ao toiro.

Estoque ou Espada - espada utilizada pelo matador com cerca de 75cm com um punho forrado a lã e camurça. 

10.Qual a estrutura de uma "Tourada à Portuguesa"?

A Corrida à Portuguesa é um tipo de corrida em que actuam cavaleiros e forcados, decorrendo da seguinte forma:

Cortesias - momento inicial da corrida que consiste no desfile dos intervenientes no espectáculo para saudação da direcção da corrida e apresentação ao público. As cortesias são acompanhadas de música tocada pela banda.

Logo que o Director de Corrida manda dar início ao espectáculo, avançam pela arena, em primeiro lugar os moços de forcado, seguidos pelos toureiros a pé (matadores ou novilheiros, se actuarem, e os bandarilheiros), o pessoal de praça e, por fim os campinos. Todos estes elementos, com excepção dos cavaleiros que são os últimos a entrar na arena, caminham lado a lado, divididos em dois grupos e vão colocar-se em linha, virados para o Director de Corrida, pela seguinte ordem: na primeira fila, os matadores ou novilheiros (se a corrida for mista) e as respectivas quadrilhas, formando à direita e as quadrilhas dos cavaleiros formando à esquerda. Na segunda fila formam os moços de forcado, na terceira o pessoal da praça e na quarta os campinos.

Lide a cavalo - depois do toque do cornetim, o toiro sai à praça e é normalmente recebido pelo peão de brega do cavaleiro, que dá alguns lances de capote ao toiro, para que o cavaleiro possa analisar a investida do toiro. De seguida o cavaleiro recebe o toiro e prepara a colocação das bandarilhas compridas.

Segue-se a fase das bandarilhas compridas. Estas são colocadas no cachaço do toiro, normalmente entre uma a três. O objectivo é permitir ao cavaleiro aperceber-se do comportamento do toiro e fixá-lo na lide.

Depois desta fase inicial, o cavaleiro passa a usar bandarilhas curtas e, normalmente coloca até quatro, uma de cada vez. Este é o momento fundamental da lide e da criação artística do cavaleiro, além de ser também o mais arriscado. As bandarilhas curtas podem também ser colocadas no touro em pares, o que se chama "colocar um par de bandarilhas".

O cavaleiro tem à sua disposição para o ajudar sempre que necessário, dois peões de brega (nome dos bandarilheiros que auxiliam o cavaleiro). As sortes a cavalo devem ser rematadas ao estribo para terem merecimento e as bandarilhas colocados na cruz, região proeminente do cachaço do toiro. O cavaleiro deve dar prioridade de arrancada ao toiro. As sortes básicas do toureio a cavalo são a "de caras", "à tira", "a sesgo", "à meia-volta". A de caras é a mais difícil e importante.

Para terminar a lide alguns cavaleiros colocam uma ou mais bandarilhas de palmo, encerrando a sua actuação.

Música - durante a lide do cavaleiro, se esta estiver a ser artística e conseguida, o Director de Corrida mostra um lenço branco, dando sinal à banda para que esta toque. A concessão de música durante a lide é considerada um prémio ao desempenho do artista. 

Pega - depois de terminada a actuação do cavaleiro, o cornetim dá o toque para que os Forcados saltem à arena para executarem a pega. Este grupo de oito homens, alinham-se em frente ao toiro. O forcado da cara (o primeiro da fila) cita o toiro. Quando o toiro investe contra ele o forcado agarra-se ao pescoço, ou aos cornos do toiros, sendo de seguida ajudado pelos restantes forcados em praça. A pega está consumado somente quando o forcado da cara conseguir manter-se na cara do toiro e o animal estiver imobilizado. O tipo de pega usado mais frequentemente é a "pega de caras", seguido pela "pega de cernelha". 

Recolha do toiro - depois de concretizada a pega, o cornetim dá o toque para que entrem os campinos com os cabrestos (bois mansos) para recolherem o toiro para os curros.

Premiação - recolhido o toiro, o Director de Corrida toma a decisão de premiar ou não o cavaleiro e forcado com a volta à arena. para autorizar a volta do cavaleiro deve mostrar um lenço branco. Para permitir a volta do forcado mostra um lenço castanho. No caso de o toiro ter um comportamento excepcional, o Diretor de Corrida pode ainda mostrar um lenço azul, dando permissão ao ganadeiro para dar volta à arena. 

Estes passos repetem-se na lide de cada um dos seis toiros da corrida, excluindo as cortesias que só se realizam no início da corrida.

11.Qual a estrutura de uma corrida mista?

A  corrida mista é uma corrida na qual existe toureio a cavalo e toureio a pé, ou seja, actuam cavaleiro, forcados e matadores ou novilheiros, alternadamente. (ver estrutura da Corrida à Portuguesa e estrutura da Corrida a Pé).

12.Qual a estrutura de uma corrida a pé?

 A Corrida a Pé é um tipo de corrida em que só actuam matadores. Se a corrida só contar com a actuação de novilheiros dá-se-lhe o nome de "novilhada". 

Em Espanha a corrida a pé tem três tércios: o tércio de varas (onde o toiro é toureado de capote e depois picado pelo picador), o tércio de bandarilhas (onde o toiro é bandarilhado pelos bandarilheiros) e por fim o tércio de muleta (onde o toiro é lidado pelo matador com a muleta e no final é morto). Como em Portugal  não existe a intervenção dos picadores, nem o toiro é morto no fim da lide, a corrida a pé decorre da seguinte forma:

Cortesias - momento inicial da corrida que consistem no desfile dos intervenientes no espectáculo para saudação da direcção da corrida e apresentação ao público. As cortesias são acompanhadas de música tocada pela banda.

Logo que o Director de Corrida manda dar início ao espectáculo, avançam pela arena, em direção ao Director, em primeiro lugar os toureiros a pé (matadores ou novilheiros, se actuarem, e os bandarilheiros), o pessoal de praça e, por fim os campinos. Todos estes elementos caminham em linha, virados para o Director de Corrida, pela seguinte ordem: na primeira fila, os matadores ou novilheiros, depois as respectivas quadrilhas. Na terceira fila forma o pessoal da praça e na quarta os campinos.

Tércio de Capote - depois do toque de clarins e timbales, o toiro entra na arena e é toureado de capote pelo matador ou novilheiro. O objectivo deste primeiro tércio é permitir ao toureiro conhecer as características da investida do toiro. Todas as sortes feitas com o capote chamam-se "Lances". A Verónica, a Chicuelina, a Gaonera, a Meia-verónica e a Revolera são os mais conhecidos.

Tércio de bandarilhas - depois do toque de clarins e timbales, os bandarilheiros colocam pares de bandarilhas na zona cachaço do toiro. Cada bandarilheiro coloca um par de cada vez e são colocados, normalmente, três pares de bandarilhas. Quando as bandarilhas são colocadas pelo matador, esta sorte é acompanhada de música, tocada pela banda. 

Tércio de Muleta - tocam novamento clarins e timbales e passa-se ao último tércio, onde o matador ou novilheiro lida o toiro de muleta, procurando compor uma faena bela e artística. A faena termina com a simulação da morte do toiro, ao usar uma bandarilha em vez da espada de matar. Todas as sortes realizadas com a muleta chamam-se "passes". Os mais conhecidos são o Natural, o Derechazo e o Passe de Peito.

Música - durante a lide do matador, se esta estiver a ser artística e conseguida, o Director de Corrida mostra um lenço branco, dando sinal à banda para que esta toque. A concessão de música durante a lide é considerada um prémio ao desempenho do artista.

Recolha do toiro - terminada a lide entram, em praça, os campinos com os cabrestos (bois mansos) para recolherem o toiro para os curros.

Premiação - recolhido o toiro, o Director de Corrida toma a decisão de premiar ou não o matador ou novilheiro com a volta à arena. Para autorizar a volta do matador ou novilheiro deve mostrar um lenço branco. No caso de o toiro ter um comportamento excepcional, o Diretor de Corrida pode ainda mostrar um lenço azul, dando permissão ao ganadeiro para dar volta à arena. 

Estes passos repetem-se na lide de cada um dos seis toiros da corrida, excluindo as cortesias que só se realizam no início da corrida. 

13.Quais são os cavalos usados nas Touradas?

O cavalo Lusitano predomina como a raça mais utilizada nesta actividade, sendo selecionado para tal desde há muitos séculos. Para tal contribuem as reconhecidas características de docilidade, concentração, boca e coragem inerentes ao cavalo de raça lusitana. O verdadeiro cavalo de toureio é um autêntico toureiro, pela sensibilidade e intuição que demonstra frente ao toiro. Não raro há cavalos que, completamente à solta no campo ou num tentadero, se revelaram capazes de lidar um toiro sem a intervenção do homem.

14.O que são as "Sortes" no Toureio?

Chamam-se "sortes" às ações que um toureiro (seja cavaleiro, matador, novilheiro ou bandarilheiro) realiza ao lidar um toiro. Em todas as sortes as bandarilhas devem ser colocadas no momento certo e no sítio próprio do toiro para que a sorte tenha mérito e valor. O momento certo é aquando da reunião entre o toiro e o cavaleiro (o centro da sorte), quando o toiro humilha (baixa a cabeça) junto ao estribo do cavaleiro. O sítio certo para a colocação das bandarilhas é a zona do cachaço do toiro, a chamada zona da cruz.

15.Quais as principais Sortes do toureio a cavalo?

Vejamos algumas das principais sortes do toureio a cavalo. Em todas as sortes podem colocar-se diversos tipos de bandarilhas, de acordo com o critério artístico do cavaleiro: As Bandarilhas Compridas, Bandarilhas Curtas, Ferros de Palmo (bandarilhas de reduzido tamanho), e as Rosas (ferros de palmo ornamentados com rosas).

Porta Gaiola: o cavaleiro espera o toiro e quando este sai dos curros o cavaleiro avança de imediato e coloca no toiro uma bandarilha comprida. Esta sorte é muito emocionante e perigosa.

Sorte de Caras ou de Frente: é uma das sorte com mais valor no toureio a cavalo, devido à sua dificuldade e risco. O cavaleiro e o toiro estão frente a frente. O cavaleiro cita (chama) o toiro e partem ao encontro um do outro. Pouco antes de se encontrarem o cavaleiro faz um ligeiro desvio para a esquerda (o quarteio) e, no momento em que ambos se encontram (a reunião e o centro da sorte) e o toiro humilha para colher o cavaleiro, junto ao estribo, é o momento certo para colocar a bandarilha. De seguida, o cavaleiro remata (concluiu) a sorte, completando o desvio, fazendo um círculo pelo lado de trás do toiro.

Por isso se diz que no toureio a cavalo que os bons ferros devem ser colocados de frente e ao estribo.

Sorte de Poder a Poder: se no momento do cite, o cavaleiro e o toiro se encontram nas extremidades da arena e a reunião se dá no centro da arena.

Sorte a Receber: se o toiro arranca e o cavaleiro espera a sua investida ou arrancando depois ao seu encontro. Esta é uma sorte especialmente arriscada. 

Sorte à Tira: nesta sorte em vez de o cavaleiro partir numa linha recta em direção ao toiro, depois do cite, o cavaleiro descreve uma linha diagonal em direção ao toiro. Quando cavaleiro e toiro se cruzam (momento da reunião e o centro da sorte) o cavaleiro coloca a bandarilha. Esta é uma sorte que se usa frequentemente na colocação dos ferros compridos, no início da lide. 

Sorte Sesgada ou a Sesgo: esta sorte é normalmente uma sorte de recurso, quando o toiro insiste em ficar parado junto às tábuas da arena. O cavaleiro avança para o toiro, como na sorte à tira, numa linha diagonal, colocando a bandarilha no momento da reunião. 

Sorte pelo Piton Contrário: esta sorte executa-se como a sorte de caras, em que o cavaleiro avança numa linha recta em direção ao toiro, mas antes de iniciar o desvio para a esquerda (o quarteio) faz primeiro uma batida para o lado direito, fazendo depois o desvio para o lado esquerdo, colocando a bandarilha.

Sorte à Meia-volta: nesta sorte o toiro está perto das tábuas e virado para o centro da arena (os médios) o cavaleiro avança para passar entre o toiro e as tábuas, ao citar o toiro, este dá meia-volta ao virar-se para colher o cavaleiro, momento em que o cavaleiro coloca a bandarilha, saindo da sorte em direção aos médios. Esta é uma sorte em desuso e raramente usada. Hoje em dia usa-se habitualmente para a colocação de pares de bandarilhas. 

Sorte a Duas Mãos: é a sorte em que se colocam os pares de bandarilhas. Normalmente trata-se de uma sorte à meia-volta, mas o cavaleiro em vez de colocar uma bandarilha, coloca um par de bandarilhas, levando uma bandarilha em cada mão. 

Sorte de Violino: nesta sorte o cavaleiro avança para o toiro pelo lado direito, ao contrário de todas as outras sortes que são executadas pela esquerda. Em vez de avançar em linha reta para o toiro, descreve um arco e, ao reunir junto do toiro, o cavaleiro a inclina-se para o lado esquerdo colocando a bandarilha que leva na mão direita, num movimento similar ao que faz um músico ao tocar violino. Esta é uma sorte de adorno que se utiliza para encerrar a lide. 

16.Quais as principais Sortes do toureio a pé?

No toureio com o Capote as sortes chamam-se "Lances". Por exemplo diz-se "lancear por Verónicas". Vejamos algumas das principais sortes do toureio de capote.

Verónica: sorte em que o toureiro cita o toiro virado de frente para este, com o capote aberto e perpendicular ao toiro, com os pés bem assentes no chão, adiantando a perna para o lado em que o toiro vai passar. Ao aproximar-se o toiro, o toureiro embarca-o no capote e descreve uma linha que marca a trajectória do toiro. Este lance pode executar-se pelo lado direito ou esquerdo do toureiro. Esta sorte pode ser rematada (concluída) de acordo com a criatividade do toureio, seja com uma "revolera", uma "meia-verónica", entre outros.

Delantal: sorte em que o toureiro inicia o lance segurando o capote aberto em frente ao seu corpo e com os braços arqueados. O toureiro cita o toiro e quando este chega junto de si, o toureiro roda para o lado em que passa o toiro. Neste lance o toureiro pode fazer passar o toiro pelo lado direito ou esquerdo.

Larga Cambiada e Afarolada: o toureiro segura com uma só mão o capote que está pousado na arena. No momento em que o toiro investe o toureiro, com o capote, descreve um círculo sobre a sua cabeça. Esta larga é "cambiada" (significando troca, mudança) porque o toiro é citado por um lado e, com o movimento do capote, o toiro passa pelo lado oposto. É "afarolada", porque tal como no movimento de um farol, que gira, o capote gira em torno da cela do toureio. Este lance pode ser executado de pé ou de joelhos.

Gaonera: o toureiro coloca-se de perfil em frente ao toiro com o capote detrás das costas. Uma das mãos segura o capote atrás das costas, junto à cintura, e a outra está afastada do corpo, para o lado para onde o toiro irá passar. O toureiro cita o toiro e apresenta-lhe o capote com a mão que está afastada do corpo. Depois de o toiro passar, o toureiro perfila-se de novo de frente para o toiro e executa de novo o lance mas fazendo passar o toiro pelo lado oposto ao anterior e assim sucessivamente até rematar a sorte.

Chicuelina: neste lance o toureiro cita para executar uma verónica, mas, no momento da reunião, o toureiro rodopia para o lado inverso ao lado onde o toiro investe e passa. Este lance deve o seu nome ao matador Chicuelo, que o terá inventado.

Meia-Verónica: inventada pelo matador Juan Belmonte, executa-se como uma verónica, mas a meio do lance o toureiro recorta o capote, juntando as mãos à altura da sua cintura. Ao fazer este movimento o capote descreve uma curva, formando um cone em redor do toureiro. Pode executar-se tanto pelo lado direito como pelo lado esquerdo ou de joelhos. Este lance é um dos mais utilizados para rematar (terminar) o toureio de capote.

Revolera: executa-se como uma verónica mas no momento em que a cabeça do toiro está junto ao toureiro, este solta o capote de uma das mãos e, rodando sobre si mesmo, no sentido da investida do toiro, faz o capote rodar em torno de si. Este lance é um dos mais utilizados para rematar (terminar) o toureio de capote.

Para se compreender melhor o toureio de capote é importante saber os seguintes conceitos:

Larga: nome dado a qualquer lance em que o capote é seguro apenas com uma mão e fica completamente aberto na arena, o que oferece uma "larga" saída ao toiro.

Afarolado: é todo o lance em que o toureiro, segundo o capote, passa um ou dois braços sobre a sua cabeça.

Cambiada: é toda a sorte do toureio em que o toureiro, citando com a mão direita, quando o toiro investe junto do toureiro, este cruza a mão para o lado esquerdo, ou vice versa, passando o toiro por esse lado cambiado (ou seja trocado, pois foi citado por um lado e passou pelo outro).

No Toureio com a Muleta as sortes chamam-se "Passes". Por exemplo diz-se que que o toureiro deu um passe de peito. Vejamos algumas das principais sortes do toureio de muleta.

Passe Natural: designa-se por passe natural todo aquele que é dado quando o toureiro segura a muleta na mão esquerda. O toureiro quase de perfil cita o toiro, adiantando a perna esquerda (carregando a sorte) recebe a investida do toiro na muleta, pelo lado esquerdo, e acompanha-a.

Passe de Peito: passe normalmente utilizado para rematar(concluir) uma série de passes com a muleta. O toureiro sita o toiro de uma forma semelhante ao Passe Natural, mas o toiro encontra-se do lado esquerdo do toureiro. Este cita o toiro, adianta o braço esquerdo, que segura a muleta, adianta a perna (carregar a sorte) fazendo o toiro investir e passar à sua frente, passando a muleta por cima dos cornos do toiro.

Passe de Trincheira: executa-se da mesma forma que um passe de peito pelo lado direito, mas conserva-se a muleta baixa e o remate do passe é feito por baixo em vez de por cima dos cornos do toiro.

Natural por Alto: igual ao Passe Natural mas com a diferença no remate, em que a flanela (o pano da vermelho da muleta) passa por cima do toiro varrendo-lhe o lombo até fazê-la sair junto ao rabo do animal.

Derechazo: é um passe em que a muleta está armada (o toureiro segura a muleta e a espada ao mesmo tempo, com mão direita) e o toureiro recebe a investida do toiro pelo seu lado direito, acompanhando-a.

Passe Circular: quando o toureiro deixa a muleta mesmo em frente à cara do toiro e faz com que este siga a muleta, dando uma volta completa em torno do toureiro.

Ajudado por Alto: o matador segura a muleta na mão esquerda, à frente do corpo e perpendicular ao toiro. O toureiro cita o toiro de longe e espera a acometida deste estando de perfil, imóvel e com os pés juntos. Quando o toiro chega junto do toureiro (reunião) o toureiro permanece imóvel e levanta a muleta, passando o toiro por baixo dela. Pode chamar-se Estatuário e Passe da Morte, devido à imobilidade do toureiro e ao risco que este corre. Este é um passe que se executa no início das faenas.

Os passes citados acima são considerados como os passes mais importantes e parte do toureio fundamental. Existem muitos outro passes que os toureiros usam como complementos ou adorno da sua lide. Destacamos alguns:

Molinete: executa-se como remate de um Passe Natural ou de Trincheira. No momento do remate (conclusão) de uma serie de passes, o matador gira sobre si mesmo e sai no sentido contrário a direção do toiro. O molinete de Juan Belmonte é uma referência.

Trincherazo: com a muleta e o estoque (espada) na mão direita, o matador cita o toiro do seu lado direito e quando este chega à reunião o matador desvia a muleta para o lado esquerdo, obrigado o toiro a virar o pescoço para esse lado.

Manoletina: o matador segura a muleta com a mão direita e coloca-a por detrás das costas, segurando a outra ponta com a mão esquerda. Nesta posição cita o toiro de frente e faz o toiro passar por baixo da muleta. De seguida roda no sentido contrário á investida do toiro e fica posicionado para repetir o passe. É como uma Gaonera (lance de capote, mas executado com a muleta). O seu nome deriva do nome do famoso matador Manolete, que celebrizou este passe.

Arruzina: o toureiro segura a muleta e a espada com a mão direita e coloca-a por detrás das costas. Cita o toiro com a ponta da muleta que surge no seu lado esquerdo. Este passe foi criado pelo toureiro mexicano Carlos Arruza, sendo hoje muito praticada pelo matador Talavante.

Diamantinina: é um passe composto pela sucessão de vários passes, tendo sido criada pelo primeiro matador de toiros português, Diamantino Vizeu. É uma sorte muito dificil de executar e de grande efeito. Inicia-se com um passe pela direita, em redondo, e, quando o toiro chega ao limite da flanela da muleta, aguarda-se que o toiro invista de novo. O toureiro sem se mexer, deixa o toiro passar pelas costas, muda a muleta para a mão esquerda e faz passar o toiro à sua frente, trocando novamente a muleta para a mão direita para repetir os passes. Nesta sucessão de passes o toiro dá uma volta completa ao toureiro, que se mantém sempre na mesma posição.

Dossantina: deve-se a criação deste passe ao grande matador português Manuel dos Santos. Estando o toiro colocado à esquerda do toureiro, este com  a muleta na mao direita e virado para as tábuas, cita e, quando o toiro investe, torce o corpo e move o braço direto para trás das costas, recebendo a investida do toiro que passa pelas suas costas.

No final das lides o matador pode adornar a sua lide com "desplantes" como tocar os cornos do toiro, ajoelhar-se em frente ao toiro, voltar-lhe as costas, morder a ponta de um corno, entre outros.

17.Quais os principais tipos de Sortes de bandarilhas?

Portugal é historicamente um país de grandes bandarilheiros. Vejamos algumas das principais sortes de bandarilhas, que são executadas pelos bandarilheiros, mas também podem ser executadas pelos matadores.

Ao bandarilhar, o bandarilheiro coloca-se normalmente no centro da arena e o toiro está colocado perto das tábuas da trincheira. Estes são os "terrenos naturais" do toureiro e do toiro na sorte de bandarilhas. Logo, todas as sortes em que o toureio parte do seu terreno para o do toiro dizem-se "ao natural". Se sucede o inverso, estando os terrenos trocados, dizem-se que são sortes em "terrenos cambiados".

Ao Quarteio: é a sorte mais commumente usada. O bandarilheiro está no centro da arena e coloca-se de frente para o toiro, segurando uma bandarilha em cada mão.  o toiro está perto das tábuas. Depois de citar, o bandarilheiro começa a descrever uma curva (o quarteio) para o lado direito ou esquerdo do toiro, em direção a este. No momento do encontro (a reunião e centro da sorte), quando o toiro humilha (investe baixando a cabeça) o bandarilheiro levanta os braços acima da cabeça, une as mãos e coloca as bandarilhas no cachaço do toiro.

De Poder a Poder: executa-se da mesma forma que o par "ao Quarteio", mas neste caso o bandarilheiro cita o toiro, arrancando ambos ao encontro um do outro.

Ao Quiebro: este tipo de sorte, atribuída ao matador António Carmona "El Gordito", parece na verdade ter sido inventada em Portugal, pelos bandarilheiros portugueses, onde o matador a terá aprendido. Nesta sorte o bandarilheiro e o toiro estão de frente um para o outro, junto às tábuas da trincheira. Quando o toiro investe, o bandarilheiro espera-o sem se mover. No momento em que o toiro vai investir sobre o bandarilheiro, este inclina o tronco e os braços para um lado, o que faz com que o toiro se mova para esse lado. O bandarilheiro volta à posição inicial e coloca as bandarilhas.

Meia-volta: é uma sorte de recurso, quando não é possível executar outra com mais valor. O toureiro entra por trás do toiro, chama a atenção deste e, quando o toiro se volta para investir sobre o bandarilheiro, este levanta os braços e coloca as bandarilhas.

A Sesgo: é uma sorte que se realiza com toiros mansos e que se fixam junto às tábuas. Estando o toiro junto às tábuas, o bandarilheiro arranca em direção a este sem o citar e, no momento da reunião, coloca as bandarilhas. É uma sorte bastante perigosa, e por isso das mais valiosas, pois o bandarilheiro tem de entrar nos "terrenos do toiro" onde este o pode colher facilmente.

Sorte da Cadeira: sentado numa cadeira, o bandarilheiro cita o toiro. quando este investe junto ao bandarilheiro, este faz um pequeno quebro (movimento rápido para um dos lados) e coloca as bandarilhas.

Desde o Estribo: o bandarilheiro coloca-se no estribo da trincheira e cita. Quando o toiro investe, desce do estribo, faz uma pequena curva (o quarteio) e coloca as bandarilhas.

Ao Relance: É uma forma de bandarilhar a duo. Um dos bandarilheiros coloca as bandarilhas no toiro e, aproveitando a trajectória do toiro, outro bandarilheiro executa a sorte e coloca outro par logo de seguida.

18.O que é uma pega?

A pega é o acto que os forcados realizam num espectáculo taurino, onde desarmados e somente com a força dos seus braços, enfrentam e imobilizam o toiro. A pega, a expressão mais portuguesa de todo o espectáculo tauromáquico, realiza-se no final da lide a cavalo. Dispostos em fila indiana, logo que o forcado da cara cair na cabeça do toiro, surge o primeira ajuda, que o ampara e, logo depois os restantes elementos. A pega está consumada quando o toiro ficar imóvel. 

19.Quais os principais tipos de pegas?

Os principais tipos pegas são a pega de caras, pega de cernelha e a pega de costas. Existem ainda outros tipos de pegas como a sorte gaiola, cite do forcado sozinho na arena, pega com o forcado da cara sentado numa cadeira.

Pega de caras: é a mais frequente realizada na actualidade. O forcado da cara cita o touro de frente, estando os restantes sete elementos do grupo, atrás dele. Atrás do forcado da cara está o "primeiro ajuda". Seguem-se dois "segundas ajudas", o "rabejador" e os "terceiros ajudas".

Pega de Cernelha: executa-se somente com dois forcados, o cernelheiro e o rabejador. Com os cabrestos na arena, guiados pelos campinos, o cernelheiro corre para apanhar o toiro entre os cabrestos e agarra-o com um braço em cada costado. O rabejador agarra o rabo do toiro e faz força para o mesmo lado onde se encontra o cernelheiro.

Pega de Costas: supostamente realizada pela primeira vez em 1886, por Francisco Pedrigão. O forcado coloca-se lateralmente ao touro e cita andando para a frente do touro dando-lhe as costas. No momento da reunião o forcado enrola os braços nos cornos do touro e fica com as costas em cima da cabeça do touro. Hoje está em desuso, sobretudo pelo aumento de volume e poder dos touros actuais.

Sorte Gaiola: pega de caras realizada no momento em que o touro sai à arena. Era uma sorte habitual no século XIX e início do século XX. Hoje está em desuso.

Forcado da cara cita sozinho na arena: tipo de pega difícil e espectacular que surgiu na década de setenta do século XX, em que o forcado da cara cita o touro sem os restantes elemento do grupo estarem na arena. Estes só entravam na arena depois da reunião do forcado da cara e do touro. Pega em desuso e muito praticada por Eurico Lampreia, do GFA de Lisboa.

Pega da cadeira: pega igual à pega de caras, com a única diferença de que o forcado da cara, depois de citar, aguarda a reunião com o toiro sentado numa cadeira.

20.Como é feita a recolha do Touro no fim da lide?

Depois da lide do cavaleiro e da pega executada pelos forcados, o toiro é recolhido para os curros por dois campinos, com o auxilio dos cabrestos, bois mansos, treinados para a condução dos toiros nas ganadarias. O toiro está habituado a conviver com os cabrestos, por isso segue-os de volta para os curros. 

21.O que se passa com o touro depois da corrida?

Depois da lide o toiro regressa aos curros onde descansa e bebe água. É tratado sendo as bandarilhas retiradas através de procedimento médico-veterinário, pelo veterinário ou sob a sua supervisão.

De seguida existem duas opções: ou o touro segue para o matadouro e é abatido até um máximo de 5 horas (incluindo fins-de-semana), ou se o seu comportamento foi extraordinário, regressa ao campo para ser semental, vivendo o resto dos seus dias em liberdade, como prémio do seu comportamento, algo que não sucede a nenhum outro animal criado pelo Homem para consumo. 

22.Como se premeia a actuação dos artistas?

As actuações dos artistas são premiada durante e após a lide. Durante a lide, o director de corrida pode mandar a banda tocar música para acompanhar a lide do cavaleiro ou matador, mostrando um lenço branco. Esta é uma forma de premiar a actuação do artista durante a lide. Depois da lide, se a actuação foi destacada, o director mostra um lenço branco significando que autoriza o cavaleiro ou matador a dar a volta á arena. Para premiar a actuação do forcado com a volta à arena, o director de corrida mostra um lenço castanho. Se o director mostra um lenço azul, isso significa que autoriza a volta à arena do ganadeiro.

23.O que são as tauromaquias populares?

As tauromaquias populares são manifestações taurinas, diferentes das touradas em praça, onde também se lidam ou enfrentam toiros. Normalmente são chamadas de tauromaquias populares ou de rua, porque se realizam na rua, onde intervêm populares, atraindo milhões de portugueses todos os anos. Exemplo disso são as largadas de toiros do Colete Encarnado em Vila Franca de Xira, as Festas das Salinas e do Barrete Verde de Alcochete, as festas da Moita, a Vaca das Cordas em Ponte de Lima, a Capeia Arraiana do Sabugal ou as Touradas à Corda dos Açores. 

24.Quais são as principais tauromaquias populares que existem?

Podemos apontar como sendo as principais tauromaquias populares em Portugal: as Largadas ou Esperas de Toiros, onde um ou mais toiros são largados pelas ruas e onde os populares desafiam estes toiros. A Capeia Arraiana ou Forcão, manifestação taurina tradicional da região do Sabugal, onde um conjunto de homens constrói um forcão de madeira (instrumento triangular de grandes dimensões) que suportado por um grupo de homens, serve para enfrentar o toiro, nas praças centrais de várias aldeias deste concelho. A Tourada à Corda, típica dos Açores, em particular da Ilha Terceira, onde um toiro é solto na rua, preso por uma corda ao pescoço, que é segurada por um grupo de homens, os pastores, que evitam que o toiro saia do perímetro definido para a tourada. A Vaca das Cordas, manifestação exclusiva de Ponte de Lima, em que um toiro, preso por uma corda aos cornos, é guiado por um grupo de homens em redor da igreja, é regado com vinho e depois é levado para o areal, junto da ponte romana, onde os populares desafiam o toiro.

Em Espanha existem muitas manifestações taurinas populares mas destacam-se a os Recortadores, um espectáculo que se realiza nas praças de toiros mas onde somente intervém os recortadores, rapazes ou raparigas que, sem qualquer utensílio, executam saltos, acrobacias e recortes tendo de evitar serem colhidos pelos toiros, e os Bous al Carrer, similar às largadas de toiros em Portugal, tal como os mundialmente famosos Encerros de Pamplona, onde os toiros que vão ser lidados na corrida do dia, percorrem as ruas da cidade até entrarem na praça de touros a caminho dos curros.

Em França destacam-se a Corrida Landesa, é uma corrida constituída por recortes e saltos, semelhante à corrida de Recortadores, mas onde se utilizam vacas em vez de toiros. A Corrida Camarguesa, típica da região da Camarga, é uma corrida realizada dentro das praças de toiros, em que os razeteurs (homens que desafiam o toiro) têm de conseguir tirar vários fios que se encontram presos entre os cornos dos toiros.

Na Colombia existem a Corralejas, um tipo de corridas realizadas em praças temporárias, construída para o efeito, onde populares toureiam novilhos.