tauromaquia

touradas na cultura

As Touradas são uma das marcas culturais distintivas da cultura portuguesa, com um valor cultural e social inestimável. Conhece melhor este património cultural único no mundo.

01.Porque é que as Touradas são cultura?

A UNESCO, na declaração de 1982, na cidade do México, apresentou a sua definição de cultura:

"No seu sentido mais amplo, a cultura pode ser considerada como o conjunto de marcas distintivas, espirituais e materiais, intelectuais e afectivas, que caracterizam uma sociedade ou um grupo social. Neste sentido, a cultura compreende além das artes e letras, modos de vida, direitos fundamentais do ser humano, os sistemas de valores, tradições e as crenças.

As Touradas encaixam na perfeição nesta definição da UNESCO. As Touradas são uma marca distintiva da cultura portuguesa, com as mais diversas marcas intelectuais e afectivas na sociedade portuguesa, especialmente fortes em diversas regiões e grupos sociais, sendo uma arte performativa, que encerra em si um sistema de valores, tradições e crenças que promovem a excelência humana e o humanismo.

Além disso existe uma dimensão legal que atesta a índole cultural das touradas.

No preâmbulo Decreto-Lei n.o 89/2014 de 11 de Junho (que é muito recente) o estado afirma, de forma expressa, que "a tauromaquia é, nas suas diversas manifestações, parte integrante do património da cultura popular portuguesa. Entre as várias expressões, práticas sociais, eventos festivos e rituais que compõem a tauromaquia, a importância dos espectáculos em praças de toiros está traduzida no número significativo de espectadores que assistem a este tipo de espectáculos".

O Decreto-lei n.o 23/2014, que estabelece o regime jurídico dos espectáculos de natureza artística afirma, no ponto 2), do artigo 2º que a Tauromaquia é uma actividade artística.

Em 2010 foi criada a Secção de Tauromaquia, uma secção especializada dentro do Conselho Nacional de Cultura, competindo à Secção de Tauromaquia apoiar o membro do Governo responsável pela área da cultura no desenvolvimento das linhas de política cultural para o sector da tauromaquia.

O quadro legislativo português não deixa qualquer margem para dúvidas de que as touradas, de facto e juridicamente, são parte integrante do património cultural português.

02.Qual a importância social das Touradas?

As Touradas fazem parte do que se chama o "ethos" português, ou seja, o caracter, a identidade do nosso povo e da nossa cultura, que nos distinguem de todos os outros no mundo.

Na verdade, a Corrida de Toiros é, antes de mais e sobretudo, uma Festa. A Corrida sempre esteve ligada à festa e a festa é, por natureza, um período de ruptura com a vida quotidiana, um momento de comemoração onde a comunidade se reencontra e se recria.

A nossa época, mais do que qualquer outra, precisa de festas. A nossa modernidade faz-nos cada vez mais individualistas, fechados sobre nós próprios, no trabalho ou em casa. Vivemos assoberbados por esta necessidade de cumprir obrigações, de respeitar códigos e regras, sobrando-nos muito pouco tempo para estarmos com a família, e menos ainda para nos inserirmos na comunidade – muitos já só o fazem através de redes sociais. E é na festa que muitos dos membros da comunidade têm essa hipótese de interagirem entre si, de se reencontrarem, porque a festa se faz na rua, em público, em conjunto.

Praticamente todas as Corridas de Toiros acontecem inseridas em festas locais. Aí, os povos habituados aos toiros exigem que se dêem Corridas de Toiros.

As Touradas têm, nessas localidades, uma importantíssima função social, funcionando como válvula de escape das tensões que se vão criando ao longo do ano. Como nota o sociólogo Luís Capucha, a festa "suspende a ordem das desigualdades quotidianas, recriando um mundo tumultuoso e caótico em que todos voltam a ser mais iguais, compensando com consumos excessivos e normalmente proibidos as penúrias do dia-a-dia. Assim se «compensam» as carências e, ao mesmo tempo, se demonstra como a vida seria impossível na desordem da festa. O momento do excesso e da excepção dá saída às tensões acumuladas e a comunidade reinstala a organização normal da vida social, incluindo as desigualdades da «vida real».

Em Portugal, a cultura taurina está tão enraizada que não se imaginam as Festas da Moita, de Alcochete, de Coruche, de Barrancos, da Ilha Terceira e de tantas outras sem Toiros. Nem o povo o permitiria. Porque a Corrida é, por excelência, o local onde o objectivo da festa mais facilmente se concretiza.

Na verdade, qualquer autarca de uma vila taurina se apercebe, em dois dias, da importância social da "Festa Brava". Com efeito, não existe, em Portugal, festa tão transversal à sociedade como a Festa dos Toiros e é, precisamente, essa característica centrípeta, que lhe permite cumprir, na perfeição, a sua função social. A Corrida de Toiros atrai pessoas dos mais variados estratos sociais, das mais variadas ideologias políticas, das mais variadas idades e das mais variadas zonas.

A arquitectura das praças de toiros é, aliás, muito reveladora acerca dos seus pressupostos e valores. Nas bancadas circulares de uma praça, em redor do redondel, não há distinções. Todos vêem tudo, tudo é visto por todos, e sobretudo, a comunidade vê-se a si própria, enquanto partilha um espectáculo comum, uma mesma cerimónia, que se desenrola segundo regras e ritmos por todos conhecidos. Esta unidade na igualdade cria uma consciência colectiva que não é a soma de várias consciências individuais, criando sentimentos comuns de identificação e contribuindo para se possa qualificar um determinado conjunto de pessoas como "povo".

E a Corrida de Toiros é precisamente, em muitas comunidades, o epicentro da criação dessa consciência colectiva, porque, como refere Luís Capucha "ao vencer o toiro, a cultura humana afirma a sua superioridade sobre a natureza animal que lhe está na base. E fá-lo afirmando o carácter colectivo dessa vitória. (...) A festa não é apenas ambivalente, por simultaneamente dar sentido à igualdade e à desigualdade, mas multivalente, por combinar as mais diversas polaridades, como as que resultam da relação contraditória entre a natureza e a cultura."

A Corrida de Toiros é, por isso, um elemento essencial das festas nas quais se insere. Aí, os membros das comunidades unem-se em torno de um mesmo objecto, criam laços que de outra forma nunca existiriam, fortalecem-se criando uma consciência colectiva, vivendo-se, em igualdade, uma experiência única e comum, que permite à comunidade perdurar enquanto tal. E permite aos seus membros continuar a festa pela noite dentro porque aquilo que afinal se viveu durante o dia foi o triunfo da vida sobre a morte.

03.Frases de Aficionados Famosos

Frases de Aficionados Famosos:

Luís de Camões
(n.1524 - m.1580)

"Qual corro sanguíneo e ledo amante
Vendo a formosa dama desejada,
o toiro busca e pondo-se deante,
Salta corre, sibila, acena e brada:
Mas o animal atroce n'esse instante,
Com a fronte cornigera inclinada,
Bramando duro, corre, e os olhos cerra,
Derriba, fere, mata e põe por terra."

Lusíadas

É o maior poeta de Portugal e um dos grandes poetas do Ocidente. Escreveu "Os Lusíadas", poema épico, que celebra o período dos descobrimentos portugueses. É um dos símbolos mais fortes de identidade portuguesa e é uma referência para toda a comunidade lusófona internacional.


Amália Rodrigues
(n.1920 - m.1999)

"Toiros e Sol
Não há nada
Como uma toirada com mais emoção!
Não há festa com mais cor
Que mais fale ao coração!"

Fado Sangue Toureiro

Grande diva do Fado, levou a canção de Lisboa aos quatro cantos do mundo. Grande aficionada da tauromaquia, participou em diversos filmes de temática taurina, onde se destaca o filme "Sangue Toureiro" (1958), onde contracena com o matador de touros Diamantino Vizeu.


Ernest Hemingway
(n.1899 – m.1961)

"A tourada é a única arte em que o artista está em perigo constante, e na qual a beleza do espectáculo depende da honra do toureiro"

Escritor norte-americano, prémio Nobel da Literatura em 1954, foi correspondente de guerra em Madrid, durante a Guerra civil, onde se apaixonou pela tauromaquia. Viveu por dentro o ambiente taurino, sobretudo os encerros de Pamplona. Teve como grande amigo o matador António Ordoñez. A temática taurina está presente em muitas das suas obras mais celebres, como "Por Quem os Sinos Dobram" ou Fiesta, entre outras.


Eusébio
(n.1942 - m.2014)

Considerado, por muitos, um dos melhores jogadores de futebol de sempre, nasceu em Maputo (Moçambique) e era amigo de infância do matador de touros moçambicano Ricardo Chibanga, que vivia no mesmo bairro que Eusébio. Esteve pela última vez no Campo Pequeno e na Moita para assistir a uma corrida de touros na temporada de 2013, pouco antes de falecer.


Frederico García Lorca
(n.1898 – m.1936)

"As touradas são a festa mais culta que existe no mundo."

Poeta e dramaturgo, é um dos vultos da cultura espanhola. Amigo de toureiros, escreveu o célebre Llanto por Ignacio Sánchez Mejías, um lamento pela morte do matador Ignacio Sánchez Mejías, morto por um touro. 


António Lobo Antunes
(n.1942)

"Os toureiros são como poetas."

É o escritor português vivo mais importante da actualidade. Surgem algumas referências taurinas na sua obra, como no livro "Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar?". Para Lobo Antunes o toureiro e o escritor estão na mesma situação existencial, jogando ambos a sua vida na criação artística que realizam. Foi condecorado com vários prémios, entre os quais o Prémio Jerusalém (em 2005) e o Prémio Camões (em 2007).


Camilo José Cela
(n.1916 – m.2002)

"Queria ser toureiro mas só cheguei a Prémio Nobel."

Escritor Espanhol, Nobel da Literatura em 1989. Personagem frontal, controverso e grande aficionado, chegou a actuar como toureiro em diversas ocasiões.


Ramalho Ortigão
(n.1836 – m.1915)

"Não há no mundo espectáculo mais nobremente sugestivo, mais virilmente belo, mais legitimamente português"

Importante escritor português que com Eça de Queiroz escreveu as famosas "Farpas", textos de sátira social. Membro da chamada Geração de 70, participou na chamada "Questão Coimbrã" opondo-se a Antero de Quental. Durante a sua vida tomou várias posições públicas em favor das touradas, sobretudo aquando da proibição dos Forcados em 1885.


Mário Vargas Llosa
(n.1936)

"O toiro é um animal privilegiado, tratado com muito amor."

Escritor, jornalista e ensaísta peruano, Nobel da Literatura em 2010. É uma presença habitual nas praças de touros e a sua grande aficion fez com que na foto de recepção do Nobel se fotografasse com uma montera (chapéu de matador) nas mãos.


Pablo Picasso
(n.1881 – m.1973)

"O touro sou eu."

Génio universal da arte, pintor, escultor, ceramista e poeta espanhol. Grande aficionado, as touradas foram uma presença constante na sua obra, chegado mesmo a organizar corridas em França nos anos 50. A sua Tauromaquia (serie de ilustrações para a obra de Pepe Illo), é uma das grandes criações artísticas sobre a temática taurina.


José Mattoso
(n.1933)

"Os espectadores das touradas, dos dias de hoje, apreciam a habilidade do toureiro, a sua coragem… a capacidade para transformar a violência do touro em arte."

Historiador. É um sábio da cultura e história de Portugal. Prémio Pessoa em 1987.


James Dean
(n.1931 – m.1955)

"Se não triunfar no cinema, mudo-me para o México para ser toureiro."

Ator Norte-Americano. Grande aficionado pelo mundo da tauromaquia, era frequente deslocar-se ao México para assistir a corridas de touros. Era um "aficionado prático", toureando de salão. A sua paixão pelas touradas era tal que o seu quarto estava decorado com vários instrumentos de toureio.


Orson Welles
(n.1915 – m.1985)

"O toureiro é um actor a quem acontecem coisas de verdade."

Um dos maiores realizadores de todos os tempos. Apesar de ser Norte-americano, a sua aficion fez com que tentasse ser toureiro. Foi uma presença assídua nas praças de touros e travou uma grande amizade com o matador de touros António Ordoñez. As suas cinzas encontram-se espalhadas na quinta deste matador, por desejo expresso de Welles.


Pedro Almodôvar
(n. 1949)

"As touradas são um dos símbolos mais específicos, mais representativos e, provavelmente, mais sagrados da minha cultura."

Cineasta e Argumentista Espanhol. Os seus filmes Habla com Ella e Todo sobre mi Madre venceram um Oscar para melhor Guião Original e Melhor Filme Estrangeiro, respectivamente.


Charles Chaplin
(n.1889 – m.1977)

"As corrida de toiros reúnem tudo: cor, alegria, engenho, energia e força, graça e emoção…tudo. É um espectáculo completo. Já não passo sem corridas de toiros".

Actor, realizador, argumentista britânico, É um dos maiores mitos da história do cinema. Os seus filmes são clássicos do cinema como "Tempos Modernos", "Luzes da Ribalta" ou "O Grande Ditador".

04.Porque é que as Touradas são arte?

Com efeito, pode gostar-se ou não se gostar, mas a verdade é que não há ninguém que tenha já ido a uma Corrida de Toiros e que diga que o que vê e sente numa arena pode ser visto e sentido noutro qualquer espectáculo ou situação. A solenidade do ritual, a ligeireza da música, o espanto inesperado causado pelos trajes, o poder do toiro que investe em todos os sentidos, a coreografia tão regulada como desordenada e imprevisível das quadrilhas, os capotes que esvoaçam, as danças dos cavalos, das bandarilhas, a calma incrível do homem durante a lide, o silêncio das pegas, tudo isto faz da Corrida de Toiros um espectáculo riquíssimo, incomparável, único.

Mas estas são as primeiras emoções sentidas por aqueles que pela primeira vez entram numa praça de toiros. Tourear consiste, pura e simplesmente, em criar beleza. E a beleza do toureio é a mais clássica: pressupõe elegância, harmonia de movimentos, perfeição de formas, obras humanas a partir do caos – a natureza do toiro. Com um gesto do cavalo ou de um pano, o homem põe ordem onde antes não havia senão desordem de movimentos. Desenha curvas poéticas onde antes apenas havia linhas rectas. O toureiro tenta, como o pintor, produzir o máximo de efeitos e emoções a partir do material de que dispõe (a investida do toiro), mas recorrendo ao mínimo de recursos, isto é, o espaço, o tempo e os movimentos.

Não há apenas a Corrida de Toiros para criar beleza, mas só há a Corrida de Toiros para criar beleza a partir do seu contrário, a partir do medo da morte. E fazendo-o sem prescindir de todos os valores de excelência humana que a ética taurina exige. É por isso que a Corrida de Toiros é, para tantos, a maior das artes!

05.As Touradas são uma arte clássica ou contemporânea?

O toureio reúne tanto o clássico como o contemporâneo. A maioria das artes ditas modernas abandonou, há muito, a criação do belo, que se tornou num valor estético obsoleto. E, deste ponto de vista, o toureio é uma arte extremamente clássica. A maioria das artes ditas modernas abandonaram a representação para se transformarem em artes espontâneas, de apresentação directa (veja-se o happening, o body-art, o ready-made, as artes de instalação, de intervenção, etc.). E, deste ponto de vista, o toureio é também uma arte extremamente moderna: é uma criação artística performativa em tempo real com apresentação directa e espontânea do corpo, da ferida e até da morte do toureiro.

O toureio reúne tanto as artes eruditas como as artes populares. Dá a toda a gente as emoções mais imediatas e aos mais conhecedores as emoções mais refinadas.

E a todas estas diferentes formas de arte, reunidas numa só, o toureio acrescenta-lhe essa dimensão que mais nenhuma outra arte poderá alguma vez oferecer: a dimensão da realidade, da verdade, da autenticidade. Tudo é representado, como no teatro, no entanto tudo é real, como na vida. Porque é de vida e de morte que se trata. E por isso Orson Welles dizia: "O toureiro é um actor a quem acontecem coisas verdadeiras!". A Corrida de Toiros é um drama trágico, à qual compete mostrar a ferida e a vida de frente, e dizer essa verdade: por mais que teimemos esconder ou fingir que não, todos morremos e a morte faz parte da vida. E a forma como a encaramos e como nos comportamos diante dela e das demais dificuldades é que nos define enquanto homens!

06.Qual a relação das Touradas com as outras artes?

As touradas são uma arte muito original, porque reúne muitas outras. O toureio, a criação artística durante a lide de um toiro, vai beber à música (harmonia dos acontecimentos que se sucedem, como os sons), vai beber às artes plásticas (equilíbrio das linhas e dos volumes), vai beber as artes dramáticas (aliança do azar e da necessidade). Por isso se pode dizer que as touradas são como uma arte total, onde estão reunidas e sintetizadas a maior parte de todas as artes humanas.

07.Que tauromaquias populares estão classificadas como Património Cultural Imaterial de Portugal?

A Capeia Arraiana, manifestação taurina tradicional do concelho do Saubal foi a primeira manifestação cultural portuguesa a ser inscrita na lisa nacional do Património Cultural Português, ao abrigo da Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial.

08.Em que países as Touradas estão classificadas como Património Cultural Imaterial, segundo os critérios da UNESCO?

A tauromaquia está classificada em França como património cultural imaterial ao abrigo da Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, tal como em Espanha, onde está classificada como Bem de Interesse Cultural. Em Portugal já foram mais de 50 municípios e duas regiões administrativas que declararam a tauromaquia como Património Cultural Imaterial, de acordo com os critérios da Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial.

09.Que personalidades são ou foram aficionados em vida?

Veja alguns nomes destacados de aficionados, oriundos dos quatro cantos do mundo:

Camões, Marcelo Rebelo de Sousa, Jorge Sampaio, Amália Rodrigues, Eusébio, Siza Vieira, Picasso, Botero, Francis Bacon, Hemingway, Orson Welles, Che Guevara, Mario Vargas Llosa, Frederico Garcia Lorca, Sofia Loren, Grace Kelly, James Dean, Greta Garbo, Miró, Goya, Jean Cocteau, Ava Gardner, António Banderas, Sharon Stone, Charles Chaplin, Pedro Almodovar, Salvador Dali, Georges Bizet, John Coltrane, Jean-Paul Gaultier, Christian Lacroix, Luís Buñuel, Eric Cantona, Zidane, Sergio Ramos, Boris Becker, Javier Barden, Fábio Capelo, Baltazar Garzón, Nicolas Sarkosy, Manuel Alegre, Herman José, Camané, José Cid, Júlio Pomar,  Nicolau Breyner, Vera Jardim,  Mário Soares, Vasco Graça Moura, Camilo José Cela, António Lobo Antunes, Jean Nouvelle, António Nobre, Ramalho Ortigão, Raul Solnado…entre muitos outros.