A PróToiro tomou conhecimento de uma campanha organizada junto dos órgãos autárquicos do Município de Mêda com o objectivo de pressionar ao cancelamento da corrida de touros integrada na V Feira das Actividades do Mundo Rural, agendada para o próximo dia 21 de Junho.
Respeitamos plenamente o direito de qualquer cidadão manifestar a sua opinião sobre a Tauromaquia, tal como respeitamos a liberdade de expressão de todos aqueles que dela discordam.
Contudo, não podemos deixar de assinalar que a mesma tolerância nem sempre é demonstrada relativamente ao cressente número de portugueses que, legitimamente, se identificam com esta manifestação cultural.
A Tauromaquia é uma actividade legal em Portugal, expressamente reconhecida pelo ordenamento jurídico nacional e praticada há séculos em diversas regiões do país. A sua realização encontra-se sujeita ao cumprimento de um exigente enquadramento legal e administrativo, sendo promovida por entidades devidamente autorizadas e fiscalizadas.
Por isso, importa recordar que a realização de uma corrida de touros numa determinada localidade não constitui uma imposição sobre ninguém. Tal como acontece com qualquer outra manifestação cultural, a participação é livre e voluntária.
O que verdadeiramente merece reflexão é a crescente tendência de alguns sectores para procurar impedir que outros cidadãos possam exercer livremente as suas opções culturais quando estas não coincidem com as suas convicções pessoais.
Numa sociedade democrática e plural, o respeito pela diversidade implica aceitar a coexistência de diferentes sensibilidades culturais, mesmo quando não são partilhadas por todos.
A PróToiro manifesta, por isso, o seu apoio à realização da corrida anunciada para Mêda, congratulando-se com o facto de o Município procurar diversificar a oferta cultural e valorizar actividades ligadas ao mundo rural, à tradição e à identidade de muitas comunidades portuguesas.
Confiamos que os responsáveis autárquicos saberão manter uma postura de respeito pela legalidade, pela liberdade cultural e pela autonomia das suas decisões democráticas.